23/2/2010 – CUT: combate aos juros

CUT: combate aos juros

Artur Henrique* e Pedro Armengol**

CUT antecipa que vai combater a velha cantilena de aumentar os juros e reduzir o investimento com servidores públicos e a reconstrução do Estado

Nem a crise que abalou os Estados Unidos e Europa e que se alastrou pelo mundo, com impactos diferenciados entre países e regiões, faz com que os defensores das políticas neoliberais desistam de atacar as conquistas do processo brasileiro de retomada do Estado como indutor do crescimento.

Há duas notícias que vem ganhando espaço em parte da imprensa, esta que em grande parte é sustentada por esses sanguessugas do mercado.

A primeira dessas notícias é a velha cantilena de que é preciso aumentar os juros para controlar a inflação, como se nós estivéssemos vivendo uma conjuntura de inflação de demanda – o que evidentemente não é o caso – e de que o único instrumento de política macroeconômica para coibir o suposto aumento da inflação seria a elevação da taxa básica de juros.

Devemos lembrar que as previsões do próprio Banco Central e até mesmo dos consultores de mercado para a inflação 2010 são de que ela deve ficar dentro da margem prevista pela meta oficial.

Outro detalhe importante é que se há algum tipo de pressão inflacionária, isso se dá por intermédio dos preços não controlados, como planos de saúde, mensalidades escolares e tarifas de transporte público, o que mostra, isso sim, a necessidade de estabelecermos mecanismos para coibir a ganância dos empresários pelo lucro fácil e rápido.

Além disso, o que as aves de rapina do mercado querem mesmo é lucrar com o aumento da dívida pública. Não podemos esquecer que os títulos dessa dívida pertencem a apenas 0,04% das famílias brasileiras. Cada aumento da taxa básica de juros eleva a remuneração desses títulos.

A outra cantilena que quer voltar ao noticiário é a velha e cansada, irresponsável, campanha que vem sendo realizada por jornais e a revista Veja, que querem a redução dos investimentos na reconstrução do Estado brasileiro, que foi destruído ao longo dos anos 1990.

Frases como “aumento absurdo de gastos com servidores”, ou “inchaço da máquina” contrastam com qualquer análise séria e responsável de quem defende o papel do Estado como indutor do desenvolvimento.

O número de servidores por habitante no Brasil está abaixo dos países que compõem o G-20 – atenção para o detalhe de que o G-20 é um bastião do capitalismo – e também não acompanhou o crescimento demográfico do País nos últimos 30 anos.

Temos um longo caminho a percorrer para a necessária construção do Estado e do serviço público que os neoliberais destruíram.

E aqui vai um alerta a alguns integrantes do governo Lula que teimam em querer aprovar um projeto que limita os investimentos públicos com a folha de pagamento dos servidores, na intenção de sinalizar ao mercado que há preocupação com responsabilidade fiscal. Exigimos é responsabilidade social.

(*) Presidente nacional da CUT

(**) Coordenação dos Trabalhadores Públicos da CUT

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