8/3/2010 – Centenário de lutas e conquistas

Conceição Aparecida Fornasari*

O grau de emancipação feminina determina naturalmente a emancipação geral. (Marx)
Não se pode assegurar a verdadeira liberdade, não se pode edificar a democracia… se não chamarmos as mulheres. (Lênin)

No espaço pequeno deste artigo, que espero tornar-se gigante em homenagear as mulheres valorosas que embalam seus filhos e acreditam na luta em defesa da igualdade de gênero e de classe, e que sobremaneira se indignam com a violência, a exclusão, o individualismo, a miséria, a guerra e a barbárie.

Milhares de mulheres já combateram a exploração capitalista e a opressão de gênero, muitas vezes sendo ainda mais discriminadas e perseguidas pela coragem de romper com o statusquo vigente, herdado do patriarcalismo/machismo, que teima em “naturalizar” toda sorte de dominação, de desigualdade, inferioridade, submissão, discriminação e intolerância.

O 8 de Março encerra vários sentidos, sempre como um tempo de recordar e se mirar nessas mulheres das fábricas, dos escritórios, das artes, das ciências, do lar, de diferentes ofícios e lides para avançar nas conquistas.

O ingresso das mulheres no mercado de trabalho deu-se sem regulamentação alguma, reportando-nos à própria origem da data, quer a entendamos como o bárbaro assassinato de 129 mulheres em greve, pela redução da jornada de trabalho, em 1857, ou de um incêndio em uma indústria de confecções, provocado pelas péssimas condições de trabalho.

Em 1910, durante a 2º Conferência Internacional das Mulheres Socialistas, realizada em Copenhague, a revolucionária Clara Zetkin propôs a criação de um Dia Internacional da Mulher para o dia 8 de março que se consolidou como dia de comemoração e luta. Em 2010 chegamos ao centenário da definição desta data.

Inúmeras e importantes vitórias foram conseguidas, tais como: o direito ao voto nos anos de 1930- ainda somos apenas 8,8% da Assembléia Legislativa e apenas 02 Ministras de Estado ; a licença maternidade- mas a ampliação para 06 meses ainda é restrita; o novo Código Civil, o direito a posse da terra em nome da mulher rural, da mesma forma a posse da casa própria, a lei Maria da Penha- para fazer frente à violência doméstica, que continua a agredir e matar.

Entretanto, apesar da elevação do nível de escolaridade- somos 52% no ensino superior, a proibição da discriminação sexual no trabalho e do vigoroso papel feminino no mercado de trabalho – a desigualdade salarial chega ainda a quase 30% em alguns setores, 54% permanecem sem carteira assinada, a dupla jornada – o trabalho doméstico persiste em ser tarefa feminina; o assédio moral – principalmente entre as grávidas e as jovens mães; a violência sexual, a violência doméstica e social, ainda são marcas indeléveis na vida das mulheres, demonstrando à necessidade de dar visibilidade às nossas bandeiras e organizações.

Em 2010, centenário da comemoração do dia Internacional da Mulher, quando pela primeira vez há a possibilidade de uma mulher vir a ser Presidenta da República temos que reforçar algumas bandeiras como a da redução da jornada de trabalho sem redução de salários, a reforma agrária, a ampliação do direito á saúde, o combate á violência com a efetiva aplicação da Lei Maria da Penha, a melhoria da educação pública, a defesa do Programa Nacional dos direitos humanos.

Ainda garantir a manutenção e ampliação das políticas públicas que contribuam para romper com as desigualdades e que incluam medidas que melhorem a vida cotidiana das mulheres e famílias, como equipamentos sociais: creches, lavanderias coletivas, áreas de lazer e atividades culturais, universalização do saneamento básico, política de segurança, para melhorar a qualidade de vida de todos.

O projeto nacional de desenvolvimento tão caro para o povo brasileiro deve passar necessariamente pela questão de gênero, entendida como a construção cultural, histórica do papel e do valor das mulheres.

Às professoras e aos professores cabe um papel primordial de educar as novas gerações livres do mandonismo e da subjugação de gênero e de qualquer espécie.

Pela participação política das mulheres!

Viva o centenário do 8 de março e vivam as mulheres de todos os tempos que contribuíram para tornar o mundo humano!

(*) Diretora do Sinpro Campinas e professora da Unimep. Publicado originalmente na página do Sinpro Campinas; capturado na página da Fepesp

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