Eleição de 2014 já começou

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Por Antônio Augusto de Queiroz*

Parece evidente que o PT é o partido com melhores condições para manter-se no poder no pleito de 2014, inclusive porque tem dois candidatos potenciais muito fortes: o ex-presidente Lula e a presidente Dilma. O partido irá com quem estiver melhor perante a opinião pública.

Nesse cenário, a estratégia da oposição e de setores da mídia, que temem o retorno de Lula em 2014, tem sido vincular o ex-presidente aos escândalos recentes da administração pública com triplo objetivo: 1) reduzir as chances de Lula ser candidato, 2) incompatibilizá-lo com Dilma, e 3) favorecer o candidato da oposição.

Ao insistir na responsabilidade do ex-presidente pelos escândalos, vinculando-o às Pastas e pessoas alvejadas por denúncia de corrupção, a oposição e setores da mídia pretendem rotular Lula como alguém conivente com os desvios de conduta e de recursos públicos e, conseqüentemente, prejudicá-lo num eventual retorno às urnas em 2014.

Com isto, além de alvejar o ex-presidente, criam uma natural relação de conflito entre Lula e Dilma, que passaria a ser vista como alguém que veio para fazer a “faxina” na sujeira deixada por seu antecessor.

Como sabem que Dilma, a despeito de conhecer tudo da Administração Pública, não possui carisma nem sobreviveria politicamente sem Lula e o PT, intrigá-la com sua base de sustentação, a começar pelo seu próprio partido, seria uma forma eficaz de também inviabilizá-la como candidata à reeleição.

Os casos de desvio de recursos públicos são reais e combatê-los com firmeza é dever de todo e qualquer agente público, notadamente o presidente da República, que deve dar o exemplo. E nesse particular, Dilma tem sido muito correta.

O que se discute aqui é a interpretação que tem sido dada à atitude da presidente, sempre na perspectiva de incompatibilizá-la com os partidos que lhes dão sustentação, claramente com o objetivo de fragilizar o governo.

Não se vê, de parte da oposição e de setores da mídia, uma preocupação sincera em corrigir as falhas legais ou os ralos por meio dos quais os aproveitadores e desonestos desviam os recursos. O objetivo parece ser, além de tirar proveito político das denúncias, de expor os acusados de corrupção, o que é importante e pode ter efeito pedagógico para desestimular a roubalheira, mas não é suficiente para resolver o problema nem para resgatar a credibilidade nas instituições.

O ideal, além de denunciar e expor os malfeitores, seria também apontar as falhas que permitiram ou possibilitaram aquela conduta ilegal, aética ou condenável. Se não chamar a atenção para a necessidade de evitar futuros desvios, sugerindo as mudanças que poderiam evitar esses maus exemplos, a população não irá pressionar para tanto e ficará apenas furiosa e descrente das instituições, além de consolidar a percepção equivocada de que todo político é ladrão.

Aliás, como diz o cientista político e sociólogo Luiz Werneck Vianna, “os escândalos revelam a imperfeição do sistema de representação, mas esconde as deficiências estruturais da nossa República”. Refere-se, essencialmente, à ausência de propostas dos denunciantes para resolver os problemas que deram origem ao escândalo.

A oposição e os setores da mídia que não desejam o retorno de Lula nem a continuidade do PT no governo estão no seu papel, mas a presidente Dilma, sem abrir mão de punir os culpados e tapar os ralos da corrupção, deve ficar atenta para não cair na armadilha de seus adversários. O desafio é grande e enfrentá-lo é condição para chegar bem em 2014.

(*) Jornalista, analista político, diretor de documentação do Diap, colunista da revista “Teoria e Debate” e do portal Congresso em Foco, autor dos livros “Por dentro do processo decisório – como se fazem as leis”, “Por dentro do Governo – como funciona a máquina pública” e “Perfil, Propostas e Perspectivas do Governo Dilma”.

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