Com Selic a 9,75%, diferencial de juros estimula “tsunami monetário”

Juros reais ficam em 4,2 ao ano, mantendo o Brasil como campeão mundial dos juros altos

Escrito por: Valdo Albuquerque/Hora do Povo

 

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu na quarta-feira (7) reduzir a taxa básica de juros (Selic) em 0,75 ponto percentual, passando de 10,5% para 9,75% ao ano. Com isso, os juros reais (descontada a inflação projetada para os próximos 12 meses) ficam em 4,2% ao ano, mantendo o Brasil como campeão mundial dos juros altos. A média das 40 economias mais relevantes está negativa (-0,7%), o que dá um diferencial de juros de 4,9 pontos percentuais em relação ao Brasil.

É só comparar a taxa real de juros do Brasil com as de alguns países para constatar que o diferencial de juros tem sido um grande chamariz ao “tsunami monetário”, muito bem caracterizado pela presidente Dilma, dos chamados países ricos, em discurso em Hanover, na Alemanha. Segundo o BIS, o chamado “banco central dos bancos centrais, desde 2008 foram emitidos US$ 8,8 trilhões pelos Estados Unidos, EU (zona do euro), Inglaterra e Japão, na guerra cambial deflagrada por esses países, para tentar sair da crise em que estão mergulhados.

A taxa real de juros dos EUA está em -2,6%, o que dá um diferencial de juros em relação ao Brasil de 6,8 pontos percentuais.

Comparando com a Inglaterra, com taxa real de juros de -0,3%, o diferencial de juros é 7,2 pontos percentuais. Bélgica: taxa real de juros de -2,6%, com diferencial de juros de 6,8 pontos percentuais. Holanda: juros reais de -1,5% e diferencial de juros de 5,7 pontos percentuais. Alemanha e França: juros reais de -1,3% e diferencial de juros de 5,5 pontos percentuais. Espanha: juros reais de -1,0% e diferencial de juros de 5,2 pontos percentuais.

O resultado da entrada de uma avalanche de dólares atraída pelo diferencial de juros é bem conhecido: câmbio deformado, subsídio às importações e encarecimento aos produtos para exportação.

Não foi à toa o fraco desempenho da indústria de transformação em 2011, que teve uma variação de apenas 0,1%. Ou seja, a redução à conta gotas da taxa Selic manteve um alto diferencial de juros, catapultando o importacionismo, inibindo os investimentos e minando a competitividade da indústria nacional.

A combinação juro alto, câmbio sobrevalorizado, corte dos investimentos e restrições ao crédito derrubaram o PIB para 2,7% em 2011. E não adianta reclamar ao bispo de que a crise dos países centrais foi responsável pelo fiasco da economia brasileira no ano passado.

 

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