Alunos de escola estadual ficam sem aula no Clima Bom

Carteiras de unidade de ensino representam risco a estudantes, que veem ano letivo prejudicado; secretaria ‘põe culpa’ nos alunos

 

Até quatro alunos precisam dividir apenas uma mesa, segundo denúncia dos próprios estudantes (Fotos: Jonathas Maresia)

Os 1,2 mil alunos da Escola Estadual Deputado Nenoí Pinto, no bairro do Clima Bom, em Maceió, ficaram sem aula na manhã e tarde desta segunda-feira (20). Apesar da ‘demorada e complicada’ reforma pela qual passou a unidade de ensino por longos 11 meses, os estudantes do ensino fundamental não têm onde sentar adequadamente. As poucas mesas e cadeiras – que ainda resistem ao esquecimento do poder público – representam risco às crianças e adolescentes, devido às péssimas condições de conservação, comprometendo assim o ano letivo de 2013, que deveria ter iniciado nesta segunda.

Professores, diretores e alunos apresentaram verdadeiro rosário de queixas à reportagem da Gazetaweb, que esteve no local. Há três meses, os representantes da escola batem à porta da Secretaria de Estado de Educação, em busca de melhores condições de trabalho. A principal das reclamações tem relação com a deterioração das mesas e cadeiras.

“A diretora cansou de pedir as cadeiras e até agora nada foi feito. Continuamos ignorados. Enquanto isso, os alunos enfrentam, diariamente, os riscos de sofrer um acidente e até de pegar tétano. Um completo e total absurdo”, classificou uma das professoras, que pediu para preservar sua identidade.

A professora lembrou ainda que o bairro do Clima Bom é um região conhecida pelo alto índice de violência e que, portanto, a educação deveria ser tratada como prioridade. “Todos sabem como é difícil conseguir colocar um aluno dentro da sala de aula. Questão pequenas como essas devem ser tratadas como prioridade”, pontuou.

A reportagem visitou as nove salas que deveriam estar à disposição do alunado. Apesar da visível vontade de aprender, os alunos ainda se sentem incomodados com o cheiro da tinta fresca – fruto da recém-concluída reforma –, deparando-se ainda com cadeiras quebradas e mesas enferrujadas.

Cadeiras não apresentam condições de uso

 

“Não estamos pedindo nenhum favor. Os nossos pais pagam impostos e esses recursos devem, logicamente, ter a destinação correta. Apenas agora vamos iniciar o ano letivo de 2013. Como competir com outros alunos em condições de igualdade? O Enem e os outros vestibulares da vida se aproximam e nós, infelizmente, não temos como estudar. Queremos, apenas, melhores condições para estudar”, disse a estudante Francielle da Silva, de 14 anos.

Na oportunidade, ela também criticou a necessidade de se dividir cadeira e mesa com outros quatro colegas. “Nada contra meus amigos, mas é muito complicado colocar até quatro pessoas no mesmo lugar. Alguns conversam e outros não querem nada com a vida. No meu caso, quero aprender”, emendou a estudante.

Já a dona de casa Rosineide do Santos, 35 anos, lamentou o fato de seu filho, mesmo com as promessas do Governo do Estado, não ter condições de estudar. “Espero que, após a reportagem, as autoridades olhem para esta situação. Só queremos melhores condições estruturais. A reforma foi concluída. Porém, ninguém vai sentar no chão para assistir à aula”, colocou Rosineide.

Mesas também sofrem com ação do tempo

 

Secretaria promete solucionar problema esta semana

De acordo com a Secretaria de Estado da Educação, o problema estaria no comportamento dos próprios alunos, ‘que quebram, constantemente, as cadeiras e mesas da escola’.

Porém, por meio de sua assessoria, a secretaria informou que, até a próxima sexta-feira (24), novos materiais serão encaminhados à unidade de ensino.

 

Matéria retirada do Portal Gazeta Web.

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