Ambulância é o ‘médico’ no interior de Alagoas

População, quando adoece, é logo encaminhada para os centros de saúde

 

Alain Lisboa
03 Jun de 2013

A falta de médicos em diversas especialidades nas cidades do interior de Alagoas vem fazendo com que as prefeituras gastem com transporte no traslado de sua população doente para os grandes centros de saúde, em Maceió ou Arapiraca.

Maceió e Arapiraca recebem quase toda a demanda de pacientes porque nos municípios não há estrutura nem profissionais para atendimento

Mesmo o hospital de Santana do Ipanema, que deveria servir de referência para a região do Sertão não dá conta da demanda. Moradores de cidades mais distantes chegam a viajar mais de 300 quilômetros por atendimento.

O embate entre governo e classe médica prossegue com esta característica: médicos que recusam o emprego devido à distância da cidade, como no caso de Pão de Açúcar, que tem disponível três vagas para o PSF, com o salário de R$ 10 mil, e a população, a mais prejudicada, sem assistência básica que, muitas vezes, se sujeita a horas de viagem e de espera para ser atendida nas únicas cidades que possam oferecer o serviço de saúde.

Segundo o presidente do Sindicato dos Médicos de Alagoas, Wellington Galvão, cerca de cinquenta unidades de saúde estão fechadas no interior devido à concentração de renda dos impostos nas mãos do governo federal e não dos municípios, que não têm subsídios suficientes para manter o serviço de maneira continuada.

“O Governo Federal fica dando migalhas para os municípios e isso realmente tem levado os municípios a realizar a ‘ambulânciaterapia’. Adoeceu. É grave? Vai para Maceió. Quer dizer, a gente volta à época da indigência da saúde nesse país como na década de 30 e de 40. A falta de médico é pela falta de estrutura dos municípios, a falta de recursos para bancar uma medicina de qualidade nos interiores”, disse.

34% dos médicos em Maceió

Para o presidente da Associação dos Municípios Alagoanos (AMA), Marcelo Beltrão, o problema que enfrenta a população do interior é provocado pelos médicos, que não se disponibilizam a trabalhar longe da capital – em Alagoas, 94% desses profissionais estão concentrados em Maceió.

Dessa forma, segundo Beltrão, a revalidação de diplomas de médicos estrangeiros, que está sendo discutida pelo governo federal, seria o método a curto prazo mais viável para preencher as vagas disponíveis em cidades do interior. “A demanda está maior que a oferta. Em nível federal há uma grande discussão para se revalidar diplomas estrangeiros para ter mais profissionais da medicina para assumir essas funções”, disse.Apesar de concordar com a contratação de médicos estrangeiros, Marcelo Beltrão, prefeito de Jequiá da Praia, não reclama da situação do Programa de Atenção Básica da Saúde na cidade que administra, pois há médicos para suprir os cinco PSF da cidade.

Porém em Pão de Açúcar, distante 240 quilômetros de Maceió em direção ao Sertão, das sete equipes do Programa Saúde da Família, somente três estão com médicos. Segundo a coordenadora da Atenção Básica da Saúde do município, Valéria Rezende, a maior dificuldade para contratar médicos é a localização geográfica da cidade.

“A gente oferece o salário, mas os médicos não querem vir pra cá pela distância do município. A verdade é que tem mais oferta que profissionais. Aí os médicos têm mais oportunidade de escolher onde é melhor para eles, geralmente nas cidades mais próximas da capital”, observou a coordenadora.

O presidente do Conselho Regional de Medicina, Fernando Pedrosa, é cético da ideia de que a contratação de médicos estrangeiros – especialmente de Cuba – servirá para acabar com o problema da infraestrutura da saúde no Brasil.

“É que o governo, em tempo próximo de eleição, quer dizer que colocou médico em todos os municípios brasileiros. Marketing político! Metade do dinheiro que esses cubanos receberem vai ser destinado ao governo de Cuba, para a manutenção daquela ilha falida”.

 

Matéria retirada do Site Tribuna Hoje.

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