Caos no HU leva entidades a emitirem nota de repúdio

Da Redação

04/06/2013

 

Hospital Universitário Professor Alberto Antunes

Após a divulgação de sérios problemas como falta de medicamentos, materiais médicos e até falta d’água que fez o Hospital Universitário Professor Alberto Antunes (HUPAA) suspender parte dos atendimentos nesta segunda-feira (3), várias entidades resolveram divulgar uma nota de repúdio sobre o caos instalado na unidade.

Leia abaixo o texto:

NOTA PÚBLICA DE REPÚDIO À SITUAÇÃO DO HOSPITAL UNIVERSITÁRIO DA UFAL

A partir dos relatos de estudantes, servidores e usuários do Hospital Universitário Professor Alberto Antunes (HUPAA) da UFAL sobre o agravamento das condições de trabalho e de assistência à saúde, nas últimas semanas, caracterizando uma situação de caos instalada neste Hospital, o Fórum de Defesa do SUS e as entidades representadas nesse documento vêm tornar pública esta situação e solicitar aos órgãos competentes as providências cabíveis no sentido de restabelecer a rotina de serviços e de condições de trabalho e de ensino no HUPAA.

A situação é de extrema gravidade, pois afeta diretamente aos 94% da população alagoana que depende exclusivamente do SUS em nosso Estado, e encontra no HUPAA muitas vezes a única possibilidade de atendimento médico e diagnóstico. O HUPAA é referência estadual e municipal em urgência obstétrica, atenção ambulatorial especializada e internação em média e alta complexidade.

Entre os serviços ofertados, destacam-se Cirurgia Bariátrica (única referência pelo SUS no Estado), Videolaparoscopia, Cirurgia Ginecológica, Centro de Alta Complexidade em Oncologia (CACON) – responsável pelo atendimento de referência a pacientes com Câncer, Hospital Dia de Infectologia (SAE adulto e materno infantil), Nefrologia, Assistência Pré-Câncer do Colo Uterino, Neurocirurgia, Transplante de Córnea, Medicina Nuclear, entre outros.

A REDUÇÃO DOS SERVIÇOS DE SAÚDE NO HUPAA/UFAL TEM PREJUDICADO AOS USUÁRIOS, TRABALHADORES E AO ENSINO:

Estudantes, técnicos e usuários vêm assistindo, nos últimos meses, uma frequente falta de materiais básicos e medicações, como: máscaras, luvas de procedimento, álcool, antitérmico, analgésico, anestésico, entre outros.

Recentemente a falta desses materiais sofreu um agravo e tem levado o HU a reduzir os serviços oferecidos, fechando as portas para muitos usuários, com a suspensão de atendimento e internações em diversos setores, entre eles, Centro Cirúrgico, UTI, Clínica Médica, Clínica Cirúrgica (também a Neurológica) e Pediatria, inclusive, levando a suspensão de triagens e do cadastro de novos pacientes oncológicos nos programas do CACON.

As neurocirurgias também não estão sendo realizadas, enquanto a demanda pelas mesmas aumenta e alguns usuários morrem na fila de espera pelas cirurgias. Devido a essa carência, há casos em que os pacientes estão sendo orientados a comprar os seus medicamentos e realizar exames em outras instituições, por vezes na rede privada,para tentar continuar com o seu tratamento. Essa situação é inaceitável!

Os trabalhadores e os estudantes do HUPAA sofrem as consequências e as pressões desses problemas. 

São os trabalhadores do HU que lidam diretamente com os usuários e precisam informar a suspensão dos tratamentos, cirurgias, internamentos e procedimentos. Convivem cotidianamente com o sofrimento e frustração dos usuários ao terem o seu direito ao tratamento negado. 

 

O HU é de extrema importância para a formação dos estudantes de saúde, tanto de estudantes da UFAL quanto da UNCISAL, mas essa formação se encontra impossibilitada devido à falta de admissões no hospital. O que o estudante vai aprender em um hospital vazio? 

Os argumentos falaciosos que relacionam este caos para justificar a implantação da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH) no HU não podem estar em jogo neste momento de crise. Primeiro, porque os funcionários terceirizados continuam trabalhando, não foram demitidos (resultado de acordo firmado entre o Ministério Público do Trabalho e a UFAL, homologado no dia 20 de novembro de 2012, pelo juiz da 10ª Vara do Trabalho de Maceió, Alonso Filho) e os profissionais do quadro concursados trabalham com escala de plantões extras (APH). Segundo, porque os recursos provenientes do Programa Nacional de Reestruturação dos Hospitais Universitários Federais (REHUF-DECRETO Nº 7.082, DE 27 DE JANEIRO DE 2010) chegaram ao HUPAA, tanto que reformas foram realizadas e novos equipamentos foram adquiridos.

Então, por que, de repente, o HU está vivendo essa situação? A sociedade alagoana precisa saber!

O Fórum de Defesa do SUS e as entidades representadas nesse documento exigem que os direitos dos usuários do SUS sejam efetivados. Não somos coniventes com a redução dos serviços no HUPAA, deixando crianças, idosos, homens e mulheres condenados a morrer sem assistência à saúde.

Diante do exposto, o Fórum de Defesa do SUS e as entidades representadas nesse documento vêm solicitar aos órgãos competentes as providências cabíveis no sentido de restabelecer a rotina de serviços e condições de trabalho e de ensino necessárias ao bom funcionamento deste hospital.

PELA REATIVAÇÃO DOS SERVIÇOS NO HU JÁ!

POR CONDIÇÕES DIGNAS DE TRABALHO E DE ENSINO!

O SUS é nosso ninguém tira da gente, direito garantido não se compra não se vende!
Fórum em defesa do SUS e contra a Privatização
Comando Unificado contra a EBSERH
Sindicato dos Trabalhadores da UFAL (SINTUFAL)
Conselho Regional de Serviço Social/AL
Centro Acadêmico Sebastião da Hora (Medicina – UFAL)
Centro Acadêmico Rosa Luxemburgo (Serviço Social – UFAL)

Centro Acadêmico de Psicologia (UFAL)
Conselho Regional de Serviço Social / AL

Espaço Socialista – AL
Sindicato dos Trabalhadores da UFAL (SINTUFAL)
PCB – AL
PSTU – AL
CSP Conlutas – AL

 

Matéria retirada do Site Primeira Edição.

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