Policial civil acusado de matar Roberta Dias foi homenageado pelo governo’

As investigações apontam que a jovem estava grávida e foi sequestrada

Da Redação
 09 Setembro de 2013

Receber uma premiação do governo estadual por seu combate à criminalidade é motivo de orgulho. Entretanto, uma acusação grave de envolvimento em um homicídio de grande repercussão em Alagoas retira o brio da condecoração. É justamente o que está acontecendo com o policial civil Carlos Welber Freire Cardoso, suspeito na morte da estudante Roberta Dias, ocorrida em Penedo, cidade do Baixo São Francisco.

Policial Carlos Welber recebeu homenagem. Foto: Aqui Acontece

Em 2012, o governo de Alagoas reconheceu o serviço prestado pelo agente e lhe entregou o Troféu Tiradentes, durante uma solenidade no Palácio República dos Palmares. A homenagem foi criada pela Secretaria de Defesa Social com a finalidade de dar mais incentivo aos profissionais da segurança pública.

À época da homenagem, Carlos Welber atuava como na Chefia de Operações da Delegacia Regional de Penedo, e sua indicação para receber o prêmio partiu do delegado Rubem Natário, o titular daquela unidade policial.

Em seu discurso diante das autoridades do estado, o policial civil destacou que tinha vocação para atuar na segurança pública e combater com inteligência a criminalidade.

Prisão

Na sexta-feira (6), a Polícia Civil realizou uma operação em Penedo que culminou com a prisão de onze pessoas, mais uma adolescente, sob a acusação de tráfico de drogas e homicídios.

Além de Carlos Welber, os policiais Gledson Oliveira da Silva, Carlos Bráulio Lopes Idalino, foram presos. Na operação também foi preso o secretário de Comunicação de Penedo, Rafael Medeiros de França, de 35 anos, além de Janiel Moreira, 38 anos, conhecido como “Dido Som”; Rita de Cássia Soares Tavares, 40; Lucas Rafael Soares Tavares, 23, o “Eduardo ou Alma”; Maria de Fátima Santos, 38; Ubiratan Ferreira Batista, 43, o “Bira”; e José Roberto Medeiros Vasconcelos, 37 anos, conhecido como “Neguinho de Pedro Melo”. Uma adolescente de 16 anos também foi apreendida.

Impasse na PC

Após as prisões realizadas pelo Departamento de Investigação e Capturas (Deic), uma série de críticas foram feitas pelo delegado Cícero Lima, coordenador da Delegacia de Homicídios, à atuação do delegado Rubem Natário.

Lima concedeu uma entrevista à Rádio Penedo FM se mostrou insatisfeito com o andamento das investigações sobre o desaparecimento da jovem Roberta Dias.

Na versão de Cícero Lima, Rubem Natário enganou a família da vítima e apenas fez com que a elucidação do crime não andasse. Além do mais, o chefe da Delegacia de Homicídio denunciou a existência de uma ‘boca de fumo’ na Regional de Penedo.

“As drogas são apreendidas pela polícia e repassadas aos traficantes sob o conhecimento do delegado Rubem Natário”, disse Cícero Lima.

Em nota, a Associação dos Delegados da Polícia Civil de Alagoas (Adepol) saiu em defesa de Natário.

“A Adepol vem a público e perante os órgãos de imprensa manifestar seu apoio institucional ao associado e delegado de polícia civil Rubem Natário Silveira, em face das insinuações que lhe foram feitas de público veiculadas na mídia alagoana quanto ao intitulado “caso Roberta”, bem como das afirmações de que sob sua condução a Delegacia Regional de Penedo era uma “boca de fumo” sem que lhe fosse oportunizado o devido direito de defesa. O delegado Rubem Natário Silveira tem cerca de  25 anos de exercício ativo nas funções de delegado de polícia no estado de alagoas, não possuindo uma advertência sequer em sua ficha funcional ou qualquer comportamento que venha a desabonar sua conduta moral, profissional e pessoal, pelo contrário, recebeu vários títulos e condecorações, por seu desempenho funcional, bem como por sua conduta moral,  dentre os quais, a medalha de mérito policial da policia civil do estado de alagoa”, diz um trecho da nota encaminhada à imprensa.

 

Reprodução Tribuna Hoje.

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