Programa Mais Médicos desagrada profissionais alagoanos

Cremal e Sinmed criticam proposta de forçar estudantes a atuarem pelo SUS

 

Jamylle Bezerra

13/07/2013

 

O anúncio e lançamento do Programa Mais Médicos, pelo governo federal, não agradou ao Conselho Regional de Medicina de Alagoas (Cremal) e nem ao Sindicato dos Médicos do Estado (Sinmed). Para eles, trazer profissionais estrangeiros para o país – ao invés de investir na saúde pública -, e tornar obrigatória a atuação no Sistema Único de Saúde (SUS) dos profissionais recém-saídos das universidades, para que eles possam obter o diploma, só deixaram a classe médica ainda mais insatisfeita.

A vinda de médicos estrangeiros para atuar em lugares distantes e de difícil acesso já tinha sido motivo de polêmica logo que foi anunciada, durante pronunciamento da presidenta Dilma, feito após uma série de protestos realizados em vários estados do país, mas foi a obrigatoriedade de atuação no SUS pelos médicos recém-formados que mais deixou a categoria revoltada. Para os profissionais alagoanos, a medida é autoritária e reflete uma perseguição aos profissionais no país.

“Com essa imposição, vamos colocar médicos ruins, que ainda não estão preparados, para trabalhar em um local com estrutura péssima. A formação dos profissionais só tende a piorar, porque as condições de trabalho nesses locais são absurdamente terríveis. É pegar um profissional e colocá-lo à força em um ambiente precarizado”, destacou o presidente do Cremal, Fernando Pedrosa.

Da mesma ideia comunga o presidente do Sinmed, Wellington Galvão. Para ele, a ordem das coisas está invertida no país. “O Brasil é o único lugar do mundo onde se coloca primeiro o médico antes de investir na estrutura dos hospitais e postos de saúde. Não é um médico com um jaleco e um estetoscópio que vai salvar a vida do paciente”, afirma.

A decisão só afetará os estudantes de medicina que ingressarem no curso em 2015. Já em relação à vinda de médicos estrangeiros para atuar em áreas distantes e de difícil acesso localizadas nos estados brasileiros, a categoria em Alagoas diz não ser contra, desde que os profissionais passem por uma revalidação do diploma, que comprove que eles estão aptos a atuar no Brasil. O entrave da língua também é apontado como um problema.

“O governo não quer fazer a revalidação porque, dessa forma, os médicos vão poder atuar em qualquer lugar do país. A Lei Áurea foi rasgada e a ditadura instaurada na medicina brasileira”, afirmou Galvão.

Diante das medidas do governo federal que afetam diretamente os profissionais da medicina no Brasil, os médicos alagoanos prometem se juntar aos demais estados brasileiros para impedir que elas sejam efetivadas. Eles cobram mais investimentos nas unidades de saúde e pedem que os profissionais sejam valorizados e possam ascender profissionalmente, como acontece na carreira judiciária. “Vamos discutir as estratégias a serem adotadas pelas entidades médicas em relação a essas últimas medidas adotadas pelo governo federal, disse Fernando Pedrosa.

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O Programa Mais Médicos foi lançado pela presidenta Dilma Rousseff na última segunda-feira (8), instituído por medida provisória e regulamentado por portaria conjunta dos ministérios da Saúde e da Educação. O objetivo é ampliar a presença de médicos em regiões mais carentes do país, garantindo o atendimento à população que hoje sofre com falta de assistência.

De acordo com o programa, a prioridade para preenchimento das vagas em regiões de difícil acesso será dos médicos brasileiros, e só quando não existirem candidatos à vaga é que os médicos estrangeiros serão trazidos ao país. Será ofertada bolsa federal de R$ 10 mil para os profissionais que forem atuar na atenção básica, sob a supervisão de instituições públicas de ensino.

O programa também prevê a criação do segundo ciclo do curso de medicina, medida que condiciona o recebimento do diploma à atuação, por dois anos, de alunos que entrarem nesse curso a partir de 2015, no Sistema Único de Saúde (SUS).

 

Reprodução Gazetaweb.

 

 

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