Sinmed diz que negociação com governo do estado não avança

Galvão critica uso de ponto eletrônico em unidades do estado

 

Bruno Soriano – 03/04/2013 15h59

 

O presidente do Sinmed, Wellington Galvão (Foto: Arquivo/Gazetaweb)

O presidente do Sindicato dos Médicos de Alagoas (Sinmed-AL), Wellington Galvão, disse à Rádio Gazetaweb, durante entrevista na tarde desta quarta-feira (03), que ainda não avançou a negociação com o governo do estado para pôr fim à greve da categoria.
Na oportunidade, Galvão negou que o movimento teria viés político e afirmou que a adoção de ponto eletrônico nos postos de saúde sob a responsabilidade do Estado “não vai resolver o problema da precariedade do atendimento à população porque o governo estadual não pode cobrar nada de um profissional que não é valorizado”.

“Não tivemos avanço nenhum. O que temos é somente repressão. E a nossa greve cumpriu muito mais do que os 30% exigidos por lei. A paralisação é um direito garantido ao trabalhador. É bem verdade que a população segue a sofrer, mas a classe está sofrendo prejuízo melhor porque os médicos estão deixando Alagoas. O Governo do Estado precisa cumprir seu papel, realizando concurso e valorizando o trabalhador”, afirmou Wellington Galvão.

O presidente do Sinmed também se reportou a problemas verificados em unidades de saúde na capital, onde a ausência de profissionais tem comprometido o atendimento. “O ambulatório Denilma Bulhões, no Benedito Bentes, já não tinha médico plantonista no fim de semana antes mesmo da greve. Isso ocorre porque os médicos ainda estão pedindo demissão. Há também os casos de profissionais que estão de licença, por não mais suportarem a rotina desgastante, além dos que estão se aposentando”, recordou Galvão, lembrando a ilegalidade da contratação da maioria dos profissionais.

“São contratos ‘de boca’, em que o médico não tem nenhum vínculo formal com a instituição para a qual presta serviço. Apenas 30% dos médicos foram contratados por concurso público”, revelou o sindicalista, que segue a convocar outras entidades de classe para se unirem à causa da classe médica. “E como é que o Estado quer arrecadar e pagar os servidores se não consegue, por exemplo, fiscalizar o que entra e sai de Alagoas?”, indagou.

Visita ao HGE

O presidente do Sinmed também destacou a visita que fizera, acompanhado de representantes das associações dos Delegados de Polícia (Adepol), do Fisco (Asfal) e dos Oficiais Militares (Assomal), ao Hospital Geral do Estado (HGE). “Estivemos no hospital e também iremos visitar os postos fiscais para fazermos um levantamento que escancare essa triste realidade. Todos, mais uma vez, ficaram estarrecidos com o que encontraram no HGE. Apesar de não termos visto pessoas no chão as macas estavam lotadas, com os pacientes sem conforto algum, sem a assistência ideal”, afirmou o presidente do Sinmed, que criticou a forma com a qual o governo anunciou a ampliação de leitos naquela unidade de saúde.

“O HGE ampliou o número de leitos, mas a assistência no interior diminuiu. São mais de 40 unidades fechadas. Fazer medicina é caro e não há incentivo às prefeituras. Por isso, os municípios têm investido apenas em ambulâncias para transferir pacientes até a capital. É uma situação grave e o grande culpado é a ausência de uma política séria de saúde pública”, avaliou Wellington Galvão, comparando a situação vivenciada em Alagoas com a encontrada em outras regiões.

“Vemos estados que ao menos estão tentando minimizar seus problemas. Não se vê este caos em Pernambuco, por exemplo. São Paulo fez um Plano de Cargos que valorizou o servidor. Naquele estado se ganha 10 vezes mais que em Alagoas, onde a contratação de um médico se resume à prestação de serviço. E não estamos exigindo nada demais. Até aceitaríamos um parcelamento para até 2014, mas o governo estadual diz que nada poder fazer. Infelizmente, elegeram, sem motivo, a classe médica como inimiga número 1 do Estado”, emendou o sindicalista.

Ainda de acordo com Galvão, a classe comprou ‘uma briga ética, apesar de o tribunal ter decretado a ilegalidade da greve’. “Mas a categoria segue firme. Sabemos das dificuldades, como a ameaça de demissão, além do fato de muito profissionais estarem sem receber salários desde o início da paralisação. O governador não tem o menor interesse de resolver o problema da saúde pública, alegando que estamos a fazer política. Ninguém do sindicato é filiado a qualquer partido político. Também não sou candidato a nenhum mandato eletivo. Por isso, mantemos as portas abertas para quem se dispuser a nos ajudar”, reforçou.

Na oportunidade, Wellington Galvão destacou o apoio do senador Fernando Collor, que encaminhou relatório do Sinmed ao Ministério da Saúde, relatando os problemas que a população alagoana vem enfrentando. “Conseguimos uma audiência com o ministro Alexandre Padilha e o Governo do Estado interpretou o encontro como algo eleitoreiro. Porém, até na Assembleia Legislativa de Alagoas, temos visto discursos inflamado em defesa dos médicos, com os deputados Judson Cabral e Antônio Albuquerque”, declarou o sindicalista, que comparou os salários entre profissionais da medicina no Estado.

“Um médico efetivo que trabalha no HGE recebe R$ 2,7 mil mensais, enquanto um anestesista chega a receber doze mil reais com a mesma carga horária. Por isso, o Ministério Público também precisa investigar essa questão”, afirmou o presidente do Sinmed, acrescentando que o sindicato também já acionou o Ministério Público do Trabalho (MPT) na tentativa de se corrigir o que seria uma distorção.

“É tudo feito na imoralidade. Em Palmares, cidade do interior pernambucano, há mais médicos alagoanos do que pernambucanos. Tudo porque o estado vizinho valoriza muito mais a nossa classe”.

 

Matéria retirada do Portal Gazeta Web.

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