Para presidente da CUT, os líderes da AL, sindicais e políticos, precisam elaborar uma pauta internacionalista que priorize a classe trabalhadora

 A afirmação foi feita durante debate na sede do Parlamento do Mercosul, em Montevidéu   

 05/04/2013

 Escrito por: CUT Nacional 

“É fundamental nos organizarmos, elaborarmos estratégias conjuntas e projetos de poder que priorizem a classe trabalhadora. Os trabalhadores e as trabalhadoras têm de ser protagonistas da história”, afirmou o presidente da CUT, Vagner Freitas, nesta sexta-feira (5) durante o debate “Transformações em risco? Perspectivas e Tensões na América Latina, na sede do Parlamento do Mercosul, em Montevidéu.

No evento, organizado Confederação Sindical dos Trabalhadores e Trabalhadoras das Américas (CSA), com o apoio da Fundação Friedrich Ebert (FES), Vagner ressaltou a necessidade de um pensamento estratégico que garanta a manutenção e ampliação das políticas progressistas implementadas pelos governos democráticos e populares eleitos pelos/as trabalhadores/as em vários países, especialmente, da América Latina.

Os avanços conquistados até agora, disse ele, precisam ser ampliados. Para isso, afirmou, “é necessário um modelo de desenvolvimento sustentável, com justiça social, trabalho decente e distribuição de renda. A economia baseada na exploração e na exportação de matérias primas como minério, petróleo e soja, por exemplo, não tem sustentabilidade e nem justiça social. É um modelo superado, ultrapassado e que precisa ser alterado”, apontou Vagner.

Na análise do presidente da CUT, apesar dos avanços dos últimos dez anos, impulsionados pela necessidade cada vez maior dessas matérias primas por parte de países como a China, Alemanha e EUA, os números da desigualdade social e de renda na America Latina demonstram que o continente continua sendo o mais desigual do planeta.

“Quem está acumulando cada vez mais riqueza são os grandes proprietários rurais, as grandes corporações de agrotóxicos, as grandes empresas multilatinas e o sistema financeiro”.

Para Vagner, é longo o caminho que os líderes da América Latina têm de percorrer para que as políticas de desenvolvimento dos países da Região tenham efetivamente sustentabilidade. “É possível produzir com sustentabilidade e justiça social com outro modelo. Para isso, no entanto, é preciso vontade política e um projeto de âmbito regional, de integração e complementaridade. Porque só juntos, em articulação, construiremos as necessárias transformações”.

Neste sentido, é consenso entre todos os participantes do evento que é fundamental investir em educação, conhecimento e tecnologia para agregar valor a produção industrial. É essencial também que a integração produtiva seja ser planejada com a participação dos dirigentes sindicais que conhecem mais do que ninguém as necessidades, as demandas e anseios de cada uma das categorias que representam. “Não existem saídas individuais (por países) nessa disputa global. Muito menos a decisão de disputar entre nós quem vai vender mais para a China”, afirmou o presidente da CUT.

Contrapartidas sociais

Os enormes investimentos que vêm sendo feito em infraestrutura (portos, aeroportos, estradas, energia etc.,), também foram citados pelo presidente da CUT, Vagner Freitas, em sua fala. Ele lembrou que grande parte desses recursos vem dos cofres dos governos e dos bancos públicos e cobrou exigência de contrapartidas sociais.

“Queremos que nesses contratos o governo coloque artigos relacionados á  garantia de emprego, abertura de novos postos de trabalho, respeito à organização sindical, obrigatoriedade e fortalecimento das negociações coletivas”, pontuou Vagner que foi enfático ao afirmar que, se o dinheiro para investimentos é público, é um absurdo deixar o tal “mercado” decidir questões como esta.

Vagner esclareceu que o papel do Estado é impulsionar os atores envolvidos com determinados compromissos, mas apenas isso. “Não queremos a interferência do Estado nas relações capital – trabalho, mas não aceitamos que a agenda empresarial seja tratada como prioritária em detrimento da agenda laboral”.

Modelo sindical

Apesar dos avanços conquistados nos últimos 10 anos, o que se discute hoje não é apenas a quantidade dos empregos que estão sendo gerados, mas sim a qualidade desses empregos. A luta pela democracia e pela liberdade de organização e garantia da negociação coletiva está cada vez mais presente em nossa região.

Este foi outro consenso entre os participantes do evento. Eles concluiram que a luta agora é por  democracia no sentido de ampliação do diálogo e da participação, através de mecanismos e instrumentos reais, não apenas de boas intenções. Para isso, é preciso garantir recursos financeiros e poder de decisão para implementar de uma vez por todas a agenda do trabalho decente, que não se resume a luta contra o trabalho infantil e o trabalho escravo, é muito mais ampla. Diz respeito, por exemplo, a igualdade entre homens e mulheres, a saúde do trabalhador, a luta contra a terceirização que precariza as condições de vida e de trabalho, entre outros itens.

Segundo Vagner, do ponto de vista da liberdade de organização e garantia da negociação, “o que estamos assistindo hoje é o contrário, há um forte ataque das forcas de direita, neoliberais que vêm atacando as organizações sindicais por meio de campanhas como o tal “direito ao trabalho” nos EUA e no Canadá, que, na prática significa trabalhar sem a proteção dos sindicatos que, para eles, atrapalham, ou ainda os contratos de proteção na America Central”.

Vagner disse que é preciso levantar uma grande bandeira continental em torno do tema da liberdade sindical. Não podemos continuar convivendo com países que ratificam a Convenção 87 da OIT, mas quando vão implementar colocam como requisito para existência de um sindicato que ele tenha mais de 20 sócios numa determinada empresa, quando todos sabemos que 70% das empresas tem menos de 20 funcionários, afirmou, completando: “A grande transformação no mundo sindical é fazer das reivindicações corporativas uma proposta geral – um projeto de país – uma pauta internacionalista, classista e socialista”.

 

Matéria retirada do Site da CUT Nacional.

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