Em dia de manifestações, Senado mantém agenda, mas faz reflexão

Especial

20/06/2013 – 22h55 – Atualizado em 21/06/2013

 

 

A manifestação que reuniu mais de 25 mil pessoas na Esplanada dos Ministérios não impediu que o Senado funcionasse normalmente nesta quinta-feira (20). Ainda pela manhã e já sob a expectativa dos protestos, as comissões se reuniram. À tarde e à noite, senadores se revezaram na tribuna para tratar de assuntos diversos e, principalmente, comentar as manifestações.

Enquanto houve manifestantes no gramado em frente ao Palácio do Congresso, um grupo reduzido de senadores se revezava na tribuna em uma espécie de “vigília” para refletir sobre os protestos que reuniram nesta quinta pelo menos um milhão de pessoas em cerca de 100 cidades.

O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) disse que este foi um dia histórico para o país. Para Randolfe, o Senado e a Câmara deveriam abrir suas galerias para receber os manifestantes e ouvir suas reivindicações. O senador José Agripino (DEM-RN) afirmou que as manifestações vão se avolumar e que é impossível dizer onde vão terminar.

Na visão do senador Pedro Simon (PMDB-RS), a ausência dos partidos nas manifestações é sinal de repúdio à velha política. Na mesma linha, o senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) afirmou que os protestos são um recado para os políticos de que a população não acredita mais nos partidos e apontam a necessidade de uma reforma política. Para a senadora Ana Amélia (PP-RS), o aspecto mais notável das mobilizações populares que tomam conta do país é que os protestos são realizados sem liderança.

De acordo com o senador Pedro Taques (PDT-MT), os avanços sociais e econômicos dos últimos anos não foram suficientes para fazer com que a população deixasse de depender dos serviços públicos. Avanços na educação e na saúde estão entre os temas das reivindicações das passeatas. O senador Acir Gurgacz (PDT-RO) ressaltou que a saúde é uma das principais bandeiras de seu mandato e dos protestos.

Senadores Cristovam Buarque, Pedro Simon e Pedro Taques

 

– Como nos diz o clamor das ruas, mais do que estádios, precisamos de hospitais, de escolas e de profissionais qualificados para atuarem nesses setores vitais para a saúde do nosso povo e a formação de nossa Nação – concluiu.

Humildade

O presidente do Senado, Renan Calheiros, disse que o Parlamento continua “aberto ao povo” e ressaltou que é preciso ter a humildade e a compreensão de que a política tem que se reinventar sempre.

– Acho que a maior demonstração de humildade que o Parlamento pode dar, como casa do povo, é estabelecer uma nova agenda em função das manifestações – concluiu.

O deputado André Vargas (PT-PR), 1º vice-presidente da Câmara, explicou que não foi possível ouvir pessoalmente os pleitos dos manifestantes em razão da dificuldade para identificar seus representantes. Ele reiterou, porém, que o Congresso está aberto ao diálogo com os participantes do protesto.

Muitas bandeiras

Os manifestantes desta quinta-feira – uma multidão três vezes maior que a reunida na última segunda-feira – começaram a chegar em frente ao Congresso Nacional por volta das 17h30. Com cartazes, narizes de palhaço ou máscaras, se expressavam contra a corrupção, os gastos excessivos com a Copa do Mundo e a PEC 37 (que limita o poder do Ministério Público), entre outras bandeiras.

Uma das várias estudantes que esteve no gramado em frente ao Congresso, Natália Diógenes foi à manifestação enrolada em uma bandeira do Brasil. Ela disse estar lá para “lutar pela Nação e tentar mudar o que está errado”.

 

– O país tem uma economia excelente, mas a população está sofrendo. A educação está cada vez pior, a segurança também – afirmou.

Muitos defendiam causas mais específicas, como Tatiane Novais, que é contra a PEC 33, proposta de emenda à Constituição que submete à avaliação do Congresso determinadas decisões do Supremo Tribunal Federal. Ou a biomédica Bruna Helena, que junto com colegas de profissão criticou o Ato Médico, cujo projeto foi aprovado nesta quarta-feira (19) pelo Senado.

Já Carolina, de 16 anos, fazia parte de um grupo de adolescentes que protestava contra a homofobia e contra o projeto da “cura gay”, que tramita na Câmara, enquanto Maria Luíza Júnior, de 58 anos, criticava “o genocídio da juventude negra no país”.

Para Tatiana Novais, as recentes manifestações fazem parte de uma evolução muito lenta e “boa parte dos manifestantes nem sabe exatamente por que está aqui, mas sabem que querem mudança”.

Houve vários momentos de tensão e focos de violência, como a invasão e o apedrejamento do Palácio do Itamaraty e da Catedral de Brasília, mas a maioria dos manifestantes agiu pacificamente e reagia a qualquer sinal de violência com gritos de “Sem violência!” e “Sem vandalismo!”.

A universitária Lorraine, por exemplo, foi entrevista pela Agência Senado logo após discutir com um rapaz que estava queimando um cone de plástico. Ela disse que o movimento é pacífico e “quem sai queimando as coisas não pode ser chamado de manifestante”.

 

Reprodução Agência Senado.

 

 

 

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