Emprego verde não é legítimo sem trabalho decente

Para pesquisador do Observatório Social, não é possível construir outro modelo de desenvolvimento sem respeito aos direitos dos trabalhadores

 

Escrito por: Luiz Carvalho 

04/06/2013

 

O II Encontro Nacional de Secretários e Secretárias do Meio Ambiente da CUT, terminou nesta terça-feira (4) com um debate sobre desenvolvimento sustentável, transição justa e empregos verdes e decentes.

Evento preparatório para a IV Conferência Nacional do Meio Ambiente, marcado para outubro, em Brasília, o encontro contou com a participação do pesquisador do Instituto Observatório Social (IOS-CUT) Vicente Neto.

Para ele, não é possível realizar uma transição para uma economia de baixo consumo de carbono caso esse processo ignore a inclusão dos trabalhadores.

 

Vicente Neto e a obra

“Precisamos mudar a forma de produção e isso vai acabar com alguns postos de trabalho e criar outros. Diante disso, os sindicatos devem estar atentos para que as empresas não demitam com a desculpa de falta de capacitação. Ao contrário, devem pressionar para que essa capacitação ocorra dentro das fábricas”, defende.

Capacitação, porém, que deve levar em conta a melhoria das condições de vida desses trabalhadores, ao contrário do que acontece, segundo ele, no Compromisso Nacional para Aperfeiçoar as Condições de Trabalho na Cana-de-Açúcar, assinado em 2009.

“O programa não tem meta de qualificação e os trabalhadores são preparados para atuar dirigindo máquinas, mas de uma maneira que estarão ainda mais expostos ao agrotóxico, e não na fabricação ou dentro das empresas que produzem essas máquinas”, critica.

Investir em pioneirismo – Neto disse acredita ainda que o país poderia ser pioneiro ao investir fortemente em novas fontes de energia, como solar, eólica e hidrogênica, extraindo daí geração de emprego e divisas. Já em relação ao gás de xisto, ele não considera uma boa alternativa, devido ao forte impacto ambiental, e sobre a biomassa, ele faz a ressalta da disputa com a produção de alimentos.

“Tem de haver a mão do Estado aí, porque se o plantio de soja for mais rentável do que o de alimento, o empresário vai investir em soja. Devemos lembrar que não há falta de alimentos no mundo, mas a concentração nas da Cargil e da Citrovale que os utilizam para especulação”, pontuou.

Unificar a luta –Para ampliar a pressão dos trabalhadores, Neto recomenda aliança com o movimento sindical também de outros países, como dos EUA, onde há a Aliança Verdade, e o da Europa.

“Teremos de passar por um processo de “descarbonização” progressiva da economia, porque não é possível substituir repentinamente os modelos de energia da noite para o dia. E a transição justa vai além da substituição do modo de produção, envolve a participação mais ativa das comissão de fábrica, reunindo-se e contribuindo para que esse processo seja benéfico à fábrica e ao entorno. Não adianta, por exemplo, dizer para os moradores separarem o lixo se não há coleta seletiva”, afirmou.

Segundo ressalta, o padrão de consumo também deve mudar, mas diferente do que habitualmente pregam as elites brasileiras. “Não podemos criminalizar a população que nunca teve acesso a geladeira, televisor e agora tem. Não queremos que parem de consumir, mas sim que os poucos donos de muito consumam menos e permitam, dessa forma, que os muitos que têm pouco possam consumir mais.”

 

Matéria retirada do Site CUT – Nacional.

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