Governo Temer ataca em larga escala o funcionalismo e população mais dependente dos serviços públicos

Alexandre Rocha – www.agasai.org.br

Quem hoje se diz surpreso ou enganado por ter acreditado algum dia que o Governo Temer iria reparar os erros da Presidente Dilma e colocar novamente o Brasil nos trilhos do desenvolvimento, ou era ingênuo ou apenas usou seu otimismo para justificar a sua torcida pela saída do PT do planalto.

Analisando racionalmente nunca existiu a menor possibilidade do Brasil melhorar com o Vice assumindo. Temer fez parte dos dois Governos Dilma. Era voz importante na tomada de decisões, trazia junto de si todo o PMDB, que já se sabia, estava atrelado a grande parte dos casos de corrupção investigados pela Lava-a-Jato como protagonista. PP, PMDB e PT são os partidos com mais políticos envolvidos em casos de corrupção. PSDB, vem logo atrás. Como se poderia esperar melhoras no cenário moral e ético com apenas um desses partidos saindo de cena?

O golpe custou caro. O grande empresariado nacional, ruralistas, imprensa, grupos financeiros e patronais não pouparam esforços patrocinando manifestações a favor do impeachment da ex-presidente Dilma. Queriam barrar a sangria das prisões da lava a jato para poupar seus beneficiários no Congresso e acelerar uma pauta de desonerações tributárias, anistias e perdões. Estão conseguindo.

Quem está pagando a conta é a população mais desamparada e que depende de serviços públicos como saúde, educação e segurança, áreas que tiveram cortes radicais de verbas. O funcionalismo público, não só federal, como também estadual e municipal, está com reajustes salariais congelados e recebendo com atraso e em parcelas. Atacando as camadas mais humildes e o funcionalismo o Governo faz caixa para honrar compromissos escusos e pagar o custo de seus patrocinadores que cada vez está mais alto. O alvo é certeiro. Tanto o funcionalismo como a população pobre não tem o mesmo microfone dos amigos do poder.

Enquanto ruralistas que infringiram leis ambientais e banqueiros sonegadores tiveram suas pendências perdoadas, a população se vê desamparada tendo seus direitos podados, saúde que não funciona, escolas caindo e sem professores e vivendo em comunidades sem segurança pública. Os funcionários públicos responsáveis pelo atendimento desta população vivem rotinas de incertezas, perdem poder aquisitivo ano a ano, perdem benefícios e podem ver em breve a estabilidade acabar.

Enquanto isso escolas privadas, empresas de segurança e hospitais e planos de saúde particular, que têm seus negócios protegidos por um forte lobby no Congresso, não param de contar seus lucros engordados por uma classe média cada vez mais falida.

É o Brasil pós-golpe.

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