Proteção social: todo mundo precisa

CUT leva experiência do Brasil para o Fórum Social Mundial da Saúde e Seguridade Social

Escrito por: William Pedreira

 

TÚNIS, Tunísia – Integrando a programação do Fórum Social Mundial (FSM), ocorreu nos dias 24 e 25 de março o V Fórum Social Mundial da Saúde e Seguridade Social.

Em debate, a situação e a realidade de vários países, em especial àqueles da África e da Ásia, com a CUT sendo convidada a apresentar a experiência do Brasil nas áreas de saúde e seguridade social.

 

Delegação da CUT (à esquerda) acompanha os debates

 

Juneia Batista, secretária nacional de Saúde do Trabalhador da Central, lamenta o fato de não ter havido a possibilidade de conhecer a realidade, por exemplo, de países da América do Norte ou da Europa, justamente os mais afetados pela crise financeira internacional e onde os governos têm patrocinado uma série de medidas de austeridade e ataque ao bem-estar social.

“De concreto, apenas o caso de Portugal, onde a companheira expôs um dado preocupante de que não há proteção social em quase nenhum país e que os países em crise estão perdendo praticamente todos os seus direitos conquistados ao longo de mais de 60 anos de bem-estar social na Europa. Creio que poderíamos ter avançado um pouco mais para além de falar somente sobre experiências, pensando em ações concretas e efetivas”, declarou.

Sobre a apresentação das experiências no país, Juneia discorreu sobre como é a política de transferência de renda que possibilitou milhares de brasileiros ascenderem da linha da pobreza; como funciona o SUS (Sistema Único de Saúde) e seus aspectos positivos; como funciona o sistema de previdência social e de todo o pacote conquistado nesta última década com os governos Lula e Dilma. “Mas colocamos também as questões que nos afligem, que é pensar um uma reforma tributária, discutir o aumento dos recursos para educação e saúde. Hoje, o principal problema para garantir a proteção social é ter mais financiamento, porque nós já temos leis, mobilização e controle social”, complementou.

Somado a experiência de outro países, as entidades presentes acertaram a possibilidade de construir uma Conferência Internacional em Seguridade Social. “Só que antes disso, fizemos um debate com a organização do Fórum que gostaríamos primeiro de ter uma análise no Brasil, organizando um seminário sobre sistemas de gestão e proteção social em seguridade social com os/as companheiros/as do Conselho Nacional de Saúde e depois fazer uma avaliação se a gente coloca na agenda nacional a discussão desta Conferência”, informou Junéia.

Para além desta questão, ficou definido a realização de cinco grandes fóruns regionais que vai cobrir pelo menos 32 países de todo o mundo com o objetivo de discutir a questão da proteção social no período até 2015 quando vai se debater o resultado dos objetivos do milênio e o que cada país avançou na área de proteção social.

Para a dirigente da CUT, o desafio do movimento sindical é levar este debate para além da pauta econômica. “É discutir que toda a classe trabalhadora precisa da proteção social. No Brasil, na nossa avaliação, não temos um sistema de proteção, mas sim, redes que não estão integradas. Não podemos pensar somente a questão da seguridade social no âmbito do Ministério da Saúde. É preciso envolver outros ministérios e atores sociais, porque se você fala em proteção social inclui os trabalhadores que estão na ativa, que precisam da proteção social durante o seu período produtivo e depois quando se aposenta.”

Participou também do V Fórum a assessora de Políticas Sociais da Contag e presidente do Conselho Nacional de Saúde, Maria do Socorro de Souza.

 

Matéria retirada do site CUT-Nacional.

 

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