A culpa do estupro NÃO é da mulher!

A sociedade culpa a vítima e normaliza o comportamento sexual e violento dos homens

Escrito por: Secretaria Nacional da Mulher Trabalhadora da CUT

As manchetes principais da grande mídia na manhã desta quarta (21) estão causando polêmicas nas redes e nas ruas. O resultado da pesquisa realizada pelo Instituto DataFolha e encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostra que um em cada três brasileiros acha que a culpa é da mulher em caso de estupro. 42% dos homens e 32% das mulheres entrevistadas acham que “Mulheres que se dão ao respeito não são estupradas”.

“O que esperar de uma cultura que não ensina seus homens a respeitar as mulheres?”, questionou a secretária Nacional da Mulher Trabalhadora na CUT, Junéia Martins.

Para Junéia, os números deixam claro a existência da cultura do estupro enraizada na sociedade brasileira. “É uma cultura que culpa a vítima e naturaliza o comportamento do agressor. Muitos não fazem idéia de que sexo sem consentimento ou forçado fazem parte da definição de violência sexual, segundo a Lei 12.015”, complementa.

O termo “cultura do estupro”, segundo a ONU Mulheres, é usado para abordar as maneiras em que a sociedade culpabiliza as vítimas de assédio sexual e torna normal o comportamento sexual violento dos homens.

“O estupro não é culpa da mulher e nem da roupa que ela usa, o problema é estrutural e precisa ser combatido desde a formação dos cidadãos, na escola, em casa, em todos os lugares. Se não ensinarmos nossos filhos e nossas filhas que “NÃO É NÃO”, que o corpo da mulher a ela pertence e ela usa a roupa que quiser e anda por onde ELA quiser estes números só aumentarão”, comenta Mara Feltes, dirigente da CUT e participante ativa do coletivo Nacional de Mulheres na entidade.

A pesquisa também levantou a idade dos entrevistados. Os brasileiros com 60 anos ou mais tendem culpar a vítima, enquanto pessoas de 16 e 34 anos que concordam que a mulher é culpada são 23%. “A juventude nos dá uma esperança. Esta nova geração tem mais informações com a internet e talvez as coisas possam mudar”, complementa Mara.

Dados da Central de Atendimento à Mulher – o Ligue 180 (serviço da extinta Secretaria de Políticas para Mulheres), registrou em 2015 cerca de 10 casos de violência sexual por dia, com um aumento de 165,27% no número de estupros em relação ao levantamento anterior, computando a média de oito estupros por dia, um a cada três horas.

A advogada e cofundadora da Rede Feminista de Juristas, Marina Ganzarolli, afirmou que estes números já são alarmantes, mas não são verídicos. “Nós temos um problema grave de subnotificação e na verdade calcula-se que uma mulher é estuprada a cada 12 segundos”.

Para ela o estupro independe da roupa que as mulheres usam, independe da bebida, do local que ela esteja. “O único culpado é o estuprador, é uma ação unilateral. O estupro é a expressão máxima da desigualdade de poder em todas as esferas da sociedade”.

Ganza concorda com Mara e diz que a educação de gênero nas escolas é fundamental para a igualdade de gênero. “Não temos que ensinar as meninas como viver para não serem estupradas, tem que ensinar os meninos a viverem sem estuprarem. Temos que ensinar a eles o que é consentimento: não é NÃO e o silencio não é sim”.

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