DE BANGLADESH AO BRASIL: ASSASSINATO, NÃO TRAGÉDIA!

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DE BANGLADESH AO BRASIL: ASSASSINATO, NÃO TRAGÉDIA!
Dhaka, capital de Bangladesh, 23 de abril de 2013, edifício Rana Plaza. Um dia antes de cair por terra, uma imensa rachadura se abriu sobre seus andares. Muitas trabalhadoras e trabalhadores das confecções têxteis que ocupavam o prédio se recusaram a adentrar. Porém, a ameaça de perder o emprego obrigou-os a mais um dia de jornada. Então, no dia 24 de abril, Rana Plaza desabou, causando 1138 mortes. 80% dessas pessoas
eram mulheres. Das mais de 2500 feridas, muitas perderam permanentemente a capacidade de trabalhar.
Essas fábricas de confecção de roupas em Bangladesh e em outros países do sudeste asiático fazem parte de uma cadeia produtiva internacional, onde mulheres e homens trabalham sob a lógica da terceirização. As empresas transnacionais que vendem esses produtos sentem-se completamente desobrigadas de qualquer responsabilidade sobre as condições de trabalho ofertadas. Altos níveis de precarização, total falta de segurança,
assédio verbal, violência física e péssimos salários (média de US$3,00 por dia – cerca de R$ 270 por mês) são parte do cotidiano de costureiras que fabricam peças a serem comercializadas em diversas partes do mundo.
Era a forte exploração desse trabalho que permitia, e permite até hoje por todo o planeta, que as transnacionais possam vender seus produtos sob a falsa justificativa de preços acessíveis, ao mesmo tempo em que alcançam níveis de faturamento exorbitantes.
Você sabe onde e em quais condições foi confeccionada a roupa que você está vestindo agora?
AÇÃO FEMINISTA DURANTE 24 HORAS!
As 24 Horas de Solidariedade Feminista fazem parte da 4ª Ação Internacional da Marcha Mundial das Mulheres.
Somos mulheres do mundo inteiro, que, no dia de hoje, do Pacífico ao Atlântico, organizaremos atividades entre 12h e 13h, acompanhando o ciclo do sol. No
Brasil, estamos mobilizadas em diversos estados e municípios na luta por igualdade e melhores condições de trabalho. De 8 de março a 17 de outubro de 2015, a
4ª Ação Internacional da MMM movimentará mulheres de todo o planeta com a máxima:
Seguiremos em marcha até que todas sejamos livres!
BASTA DE EXPLORAÇÃO DO NOSSO TRABALHO!
Esse acontecimento em Bangladesh expressa a realidade de milhares de mulheres no mundo, exploradas pela indústria da moda e da beleza. Somos exploradas como trabalhadoras, controladas como consumidoras, e mercantilizadas como mulheres. Sempre obrigadas a seguir um padrão de beleza único e irreal e inatingível.
No Brasil, para agravar mais ainda a situação de trabalho das mulheres, o PL 4330, que regulamenta e amplia as terceirizações, foi aprovado recentemente na Câmara dos Deputados. Sob o falso argumento de maior produtividade e competitividade da indústria nacional, o projeto possibilita que os empresários aumentem suas taxas de lucro mediante a total falta de responsabilidade perante direitos trabalhistas historicamente
conquistados.
Segundo dados do DIEESE, no ano de 2014, os contratos de terceirização geraram um ganho de salário 24,7% menor que os contratos diretos. Nesse cenário, as mulheres, que recebem 1/3 a menos que os homens para cumprir a mesma função no mercado, acabam por ser as mais prejudicadas. Além de exercer uma jornada maçante e mal remunerada nos empregos, ainda são obrigadas a administrar os lares, cuidando para que
tudo corra da melhor forma possível na vida de seus entes queridos. Esse sistema, que organiza a economia a partir do lucro de poucos, transfere para as mulheres a responsabilidade de lidar com a crise, com o aumento de preços e diminuição dos salários.
Relembrando o poder e a impunidade das empresas transnacionais mediante o massacre de Bangladesh, denunciamos a exploração da nossa força de trabalho nos nossos empregos e nas nossas casas, repudiando o avanço das terceirizações, que precarizam as nossas relações de trabalho e nossas vidas, impondo uma jornada ainda mais dura para a mulheres nos lares.
Exigimos o veto ao PL 4330, salário igual entre mulheres e homens e divisão da responsabilidade do trabalho doméstico entre homens, mulheres e o Estado.
Queremos o cumprimento dos nossos direitos, com livre exercício da sindicalização e condições de trabalho seguras e dignas!
Seguiremos em marcha até que todas sejamos livres!
#Feminismo2015
#QuemFezSuaRoupa?
#VidasPrecárias
Marcha Mundial das Mulheres
Contato: (11)3819-3876 | marchamulheres@sof.org.br

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