Milhares de manifestantes protestam contra a terceirização em quase todo o País

Milhares de trabalhadores foram às ruas de todo o País desde a manhã desta quarta-feira (15) contra a aprovação do Projeto de Lei que regulamenta e amplia a terceirização para as atividades fim. A manifestação foi convocada pela CUT (Central Única dos Trabalhadores) e conta com o apoio do PSol, PT e PCdoB.

Ao menos 21 Estados registram protestos, de acordo com o G1. Não há uma estimativa do total de manifestantes no País.

Em um chamado, o presidente da CUT, Vagner Freitas, pediu a todos os empregados que não trabalhassem nesta quarta-feira. “Para que continuemos a ter dignidade nos nosso trabalhos e não permitir que eles tirem nosso direitos”, diz. Ele pede ainda que as pessoas procurem os sindicatos e se informem.

Fábricas paradas em São Paulo

No início da tarde, manifestantes se reuniram na avenida Paulista, em frente ao prédio da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).

Trabalhadores de diversas fábricas fizeram protestos e paralisaram atividades nesta manhã. Entre elas, Embraer, General Motors, Honda, Toyota e Mercedez-Bens, segundo informações da Folha de S.Paulo.

Professores, alunos e funcionários da USP fecharam hoje o portão principal da Cidade Universitária, na zona oeste da capital, contra a PL da Terceirização. O protesto bloqueou a entrada da universidade das 7h às 9h30 e congestionou vias próximas ao local.

Em seguida, os manifestantes seguiram em caminhada até a Estação Butantã do metrô, onde reivindicaram a reintegração dos 40 trabalhadores demitidos durante a última greve dos metroviários.

Manifestantes também bloquearam ao menos três rodovias no início da manhã. A rodovia Anhanguera foi totalmente interditada no sentido capital por volta das 7h, quando cerca de cem pessoas do Movimento Luta Popular atearam fogo em pneus. A pista marginal da Via Dutra, que liga São Paulo ao Rio de Janeiro, foi fechada por meia hora na altura de Guarulhos. Já a rodovia Anchieta foi fechada no sentido litoral.

Confronto entre PM e manifestantes em Vitória

O protesto em Vitória (ES) esta manhã foi marcado por um tumulto. A PM utilizou bombas de efeito moral para tentar dispersar os manifestantes de diversas categorias e segmentos sociais, que começaram a se reunir por volta das 4h30. Vias de grande fluxo de veículos foram interditadas em ao menos dois pontos da capital capixaba.

Segundo o Sindicato dos Bancários do Espírito Santo, os policiais dispararam balas de borracha. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Espírito Santo, o direito à manifestação foi respeitado, mas que o uso da força policial foi necessário para cumprir uma decisão judicial de que não houvesse fechamento de vias de acesso à capital. O confronto, no entanto, ocorreu no centro da cidade.

Segundo estimativas da PM, os manifestantes de Vitória e Vila Velha, somados, chegam a 150 pessoas. As entidades que participam do ato, no entanto, falam em cerca de mil pessoas.

Ônibus parados em Porto Alegre

A frota de ônibus da Carris, empresa pública de transporte de Porto Alegre, parou de circular na manhã desta quarta-feira, afetando cerca de 125 mil pessoas.

Manifestantes bloquearam a garagem da empresa impedindo a saída dos veículos e pelo menos duas pessoas ficaram feridas quando um homem vestido com trajes gaúchos agrediu manifestantes e usou uma chaira (objeto que afia facas). Segundo a PM, o homem foi levado para a delegacia para prestar depoimento.

Aulas paralisadas no Recife

As aulas na rede pública de ensino do Recife foram suspensas nesta quarta-feira por conta dos protestos contra o projeto que amplia a terceirização no País. Instituições de ensino privadas e até as Universidades Federal e Federal Rural de Pernambuco optaram por cancelar as aulas da tarde e noite em função da indisponibilidade de transporte público. Cerca de 1,8 milhões de passageiros foram afetados.

Motoristas de ônibus e funcionários do Metrô paralisaram as atividades e centenas de veículos estão estacionados nas ruas centrais da cidade, causando grande congestionamento.

No início da tarde, os manifestantes pretendem realizar uma passeata da sede da Federação das Indústrias do Estado até o Palácio do Campo das Princesas, sede do Executivo estadual.

Os professores – que iniciaram uma greve no começo da semana – prometem participar da mobilização contra o projeto de lei que regulamenta o trabalho terceirizado. Os servidores do Tribunal de Justiça de Pernambuco também cruzaram os braços.

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