Não negociamos retirada de direitos, diz presidente da CUT

Governo interino quer criminalizar movimentos e reformar Previdência , entre outros retrocessos

Em coletiva antes do ato na Avenida Paulista nesta sexta-feira (10), os mais de 60 movimentos que compõem as frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo destacaram que decisões do governo golpista de Michel Temer dão sinal de que País vai de mal a pior. Na próxima semana, o golpe que derrubou a presidenta eleita Dilma Rousseff completará um mês.

As entidades falaram sobre os riscos do golpe em curso no Brasil e o que isso representa na retirada de direitos trabalhistas e sociais conquistados principalmente nos últimos 13 anos, nos governos Lula e Dilma.
Os principais representantes das entidades alertam que caso o governo ilegítimo se mantenha, a crise deverá se aprofundar.

Presidente nacional da CUT, Vagner Freitas, reforçou a defesa da democracia e afirmou que os movimentos não aceitarão mudanças na aposentadoria como idade mínima e tempo igual entre homens e mulheres para obter este benefício.

“Esse desgoverno, em um mês, causou mais transtorno para a classe trabalhadora do que nós poderíamos imaginar. Não aceitaremos nenhuma mudança na Previdência que não seja discutida no Fórum dos Trabalhadores e nem a ideia de acabar com o Ministério da Previdência e colocar no Ministério da Fazenda como se fosse um artigo econômico. O sistema de seguridade e da previdência é um patrimônio do Brasil e nisso não há nenhuma condição de negociação conosco”, disse.

Da mesma forma, a presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE), Carina Vitral, avaliou o aniversário de um mês do golpe. “Este é um governo de ataque aos movimentos, de criminalização e repressão inimaginável. Não reconhecemos este governo e iremos resistir nas ruas”, garantiu.

Militância na Paulista. Foto de Roberto Parizotti

Militância na Paulista. Foto de Roberto Parizotti

Coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, disse que é preciso ter dimensão da gravidade do momento que o Brasil está vivendo e apontou que está em curso no país um duplo ataque. “Há um golpe por existir um presidente que não foi eleito por ninguém, escolhido por um parlamento descredibilizado pela sociedade, e contra os direitos sociais. E estão querendo aplicar um programa que não seria eleito”.

Para Boulos, é inaceitável um governo golpista e que, ainda por cima, pretende aplicar um programa de retrocessos em direitos historicamente conquistados pelo povo trabalhador. “Essa manifestação de hoje não começou e não termina aqui e as mobilizações vão se intensificar a cada tentativa desse governo ilegítimo em atacar nossas conquistas”, concluiu.

Vagner Freitas também respondeu aos jornalistas sobre a proposta de plebiscito para convocar novas eleições: “O mais importante para os movimentos sociais aqui é impedir o golpe. Sobre este tema (eleições já) nós não temos uma posição definida ainda. E a coisa mais importante que nós construímos é essa linda unidade da esquerda para retomar a democracia. Para impedir que o golpe aconteça no país. Impedido o impeachment, posto isso, nós discutiremos medidas de mobilização popular contra o retrocesso. Discutiremos todos os temas no momento adequado”.

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