Parlamentares classificam como ‘infeliz’ declaração de Vilela

Antonio Albuquerque, Judson Cabral e Paulão condenaram comparação de Bolsa Família a ‘esmola’

 

03/03/2013 12h06

A declaração do governador Teotonio Vilela (PSDB) comparando o Bolsa Família a esmola foi duramente criticada por deputados estaduais e um federal. Os parlamentares reagiram demonstrando descontentamento, indignação, surpresa e revolta, afirmando que a fala foi ‘infeliz’. Téo Vilela falou dessa maneira durante a estada em Santana do Ipanema.

O deputado estadual Antonio Albuquerque (PTdoB) classificou como infeliz a fala do governador. “Quando a gente observa a situação do Nordeste e, principalmente, de Alagoas, que é tão castigado pela seca, não podemos julgar qualquer forma de ajuda deste jeito. Nenhum tipo de ação social em favor das pessoas deve ser encarada assim”, afirmou. Albuquerque falou, ainda, que os gestores públicos deveriam promover ações claras e diretas para ajudar o povo a sair da situação delicada em que se encontram, antes de emitir qualquer tipo de declaração.

“Os benefícios concedidos pelo governo deveriam ser vistos como paliativos. O que deveria ser feito era criar projetos para dar condições a essas famílias que dependem do governo, de forma que elas pudessem se sustentar sozinhas”, disse.

O parlamentar criticou, também, outra declaração feita por Teotonio Vilela Filho, que admitiu problemas no combate à seca, dizendo que as ações foram insuficientes. “Pra lhe ser sincero eu não vi, até agora, nenhuma atitude do governo para minimizar ou acabar isto. O que vejo são muitas famílias sofrendo, perdendo seus animais e sem nenhuma perspectiva de melhora diante de um quadro desses”.

Para Judson Cabral, um dos representantes do PT na Casa de Tavares Bastos, houve falta de sensibilidade do governador. “Classifico isso como uma tremenda ignorância por parte dele. O Bolsa Família representa, para muitas pessoas, a complementação e, em alguns casos, a renda principal das famílias que ele, como governador, não teve condições de suprir com as ações de governo”.

Cabral falou, também, que o discurso proferido por Teotonio embala claramente a política do PSDB, que é de colocar o estado à disposição do capitalismo. “É um desrespeito com o programa criado pelo PT, que tem como objetivo tirar o povo da miséria absoluta”.

O deputado estadual afirmou, ainda, que a declaração teve um bom motivo. “Isto serviu para que pudéssemos conhecer melhor com quem estamos lidando e o povo também”.

Em entrevista à Gazeta de Alagoas , o deputado federal do PT, Paulo Fernando dos Santos, o Paulão, afirmou que “não levar em consideração o fato de que o Bolsa Família é responsável pelo incremento de R$ 400 milhões na economia alagoana é deixar cair a máscara de vez e assumir a plumagem de tucano perdido”.

O petista acrescentou que “as empresas dos usineiros colegas do governador injetam bem menos recursos no Estado do que o Bolsa Família. Os usineiros representam, hoje, apenas RS 150 milhões”.

Paulão complementou que recebeu a declaração do governador com muita tristeza. “Porque, além de preconceituosa, ela atenta claramente contra a distribuição de renda promovida pelo governo da presidente Dilma em todo o país por intermédio do Bolsa Família. Trata-se, portanto, de uma comparação infeliz que atenta inclusive contra a dignidade dos beneficiados pelo programa”, concluiu.

 

Matéria retirada do Portal Gazetaweb.

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