No Dia do Professor, profissionais da educação amargam redução salarial

Remuneração do trabalhador da educação caiu em Alagoas em 2012, diferente da média geral

 

Ana Paula Omena
15 Outubro de 201

O Dia dos Professores, celebrado hoje em todo o Brasil, marca, em vez de comemorações, revolta da categoria pela desvalorização salarial e condições de trabalho ruins.A última pesquisa sobre a remuneração dos educadores e demais profissionais da área, divulgada na semana passada, mostrou uma queda de R$ 12,93 na média salarial da categoria em Alagoas entre 2011 e 2012, ou seja, menos 0,48%

Para Eduardo Vasconcelos, a educação virou mercadoria, desvalorizando o profissional.Foto: Adailson Calheiros

Os dados são da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) 2012, do Ministério do Trabalho e Emprego, divulgados no dia 11. Pela pesquisa, dos 25 setores pesquisados, só cinco tiveram queda na remuneração do trabalhador: ensino, construção civil, indústria gráfica e de papel, serviços industriais de utilidade pública e instituições de crédito e seguro. Em contrapartida, no geral, os salários aumentaram 2,79% em Alagoas.

Para Eduardo Vasconcelos, vice-presidente do Sindicato dos Professores da Rede Privada do Estado de Alagoas (Sinpro/AL) a educação virou mercadoria, desvalorizando o profissional. “Rede privada tem o mesmo pensamento de uma empresa. A lógica é: se a escola vai bem, é por causa da gestão, se vai mal, é culpa do professor”.

“Diversos [profissionais] já desenvolveram a síndrome de burnout – um distúrbio psíquico de caráter depressivo, precedido de esgotamento físico e mental intenso – só que nem sabem que tem. O professor se envolve com projetos pedagógicos, elaboração de vários tipos de provas, planejamento, e não é remunerado”, destacou Vasconcelos.

Paralisação

A partir das dez horas do próximo domingo, os professores de Alagoas prometem parar para protestar durante uma campanha denominada “Domingo de Greve”. O título irreverente é para chamar atenção para o trabalho do profissional fora da sala de aula, que se estende até aos domingos. O ponto de concentração é na praia de Ponta Verde, em frente ao Sete Coqueiros.

De acordo com a campanha, os professores da rede privada acabam sendo obrigados a trabalhar aos domingos para dar conta da demanda das escolas. Essa condição fere o direito trabalhista e tem sido uma das principais causas de exaustão e adoecimento dos educadores.

O maior colégio da cidade de Arapiraca foi denunciado por informalidade no quadro de professores, segundo Eduardo Vasconcelos, presidente do Sinpro/AL. “Várias escolas da rede privada desrespeitam a lei, e por isso estão sendo cobradas. A justificativa é de que não sabiam. Um absurdo desconhecer a lei. Alegam dificuldade financeira. Além disso, há um desrespeito à resolução do Conselho Estadual de Educação acerca da quantidade de alunos, [que se ultrapassada em mais de 10%] é pago 10% a mais da hora aula, mas nunca é pago. As salas de aula estão abarrotadas de alunos, tem escola com 90 alunos, não é aula, é comício. Eles não aprendem e a voz do professor também fica a desejar”, frisou.

O sindicalista também ressalta vários problemas na rede pública de ensino. “A carência de professores é notória. Há profissionais lotados em gabinetes de políticos. Outro problema sério são estagiários dando aula para suprir na área pedagógica. Tem até merendeiras dando aula, angustiadas pelos meninos estarem sem aula, péssimas estruturas físicas, salas com rachaduras, infiltrações, professores ameaçados, que até facada já levaram, transporte escolar sem qualidade e segurança sem um acompanhamento. A situação é caótica na rede pública e privada. Dia dos Professores não é dia de descanso, mas sim de reflexão. Nós temos um dos piores índices de educação, inclusive no ensino superior”, mencionou.

O sindicato entrou com um pedido no Ministério Público do Trabalho (MPT) e na Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE) para a realização de uma audiência pública levantando todos os problemas que cercam a carreira do profissional docente, entre eles, a questão da saúde.

 

Reprodução Tribuna Hoje.

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