Pacientes dormem na fila do PAM Salgadinho em Maceió

Muitas pessoas levam colchões lençóis, travesseiros e até dominó. Outra reclamação é sobre a venda de fichas na porta da unidade de saúde.

 

09/04/2013

A fila para atendimento no PAM Salgadinho, em Maceió, se formou no início da noite de segunda-feira (8). Para encarar tanto tempo de espera muitos levam colchões, lençóis, travesseiros e até dominó.

A dona de casa Francisca dos Santos chegou às 17h30 de segunda para tentar marcar uma consulta para o marido. “Aí o jeito que arrumei foi dormir na fila. Meu marido já está com 15 dias para entregar os exames, já veio uma vez e não conseguiu”, diz.

Às 6 da manhã, a fila estava bem maior. Odete Feliciano da Silva, dona de casa, tem medo de dormir no PAM Salgadinho. Ela chegou às 5h30 e diz que já perdeu as contas de quantas vezes passou por essa situação. Ela veio tentar uma consulta para a filha. “Já vim quatro vezes e não consegui, mas não durmo aqui. Não vou arriscar minha vida”, desabafa.

Em frente ao PAM Salgadinho, no setor de marcação de exames e cirurgias a situação se repete. A secretária Renedy Cavalcante diz que também dormiu na fila para tentar uma ficha de atendimento. “Se eu não conseguir hoje, eu venho amanhã de novo, até conseguir”, reclama.

Outra reclamação é a venda de fichas. “A gente chega aqui quatro horas da manhã e tem um grupinho de cinco ou seis pessoas vendendo ficha por R$ 15 ou R$ 20”, diz o aposentado Eudes Dantas.

E como se não bastasse tanto tempo de espera, antes das 7h as fichas para exames já tinham acabado. Nenhum funcionário quis gravar entrevista.

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde informou que a demora na marcação de consultas acontece por causa da disparidade entre a oferta de serviços e a demanda. Disse ainda que a Secretaria está trabalhando para aumentar o número de especialidades e serviços nos postos de saúde. Com relação a falta de médicos, já foi feito um levantamento do número de profissionais necessários para melhorar o atendimento, o que deve ser solucionado com um concurso público, previsto para acontecer ainda neste semestre.

Sobre as filas, a direção da unidade informou que o problema acontece quando pacientes de outras unidades e do interior, que não marcam consultas nos seus locais de origem, procuram atendimento no PAM Salgadinho. A direção orienta que isso seja feito nos locais onde os usuários moram.

Sobre a venda de fichas registrada pela reportagem da TV Gazeta na junta médica, que fica em frente ao PAM Salgadinho, a Secretaria de Saúde informou que tem o conhecimento do problema e está apurando o caso para tomar providências.

 

Matéria retirada do Portal G1 AL.

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